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Avante Renegados, beleza!!

Nem tanto… na verdade, não está e ja aviso que esse texto de hoje é um pouco desabafo de pensamentos. Para aqueles que não sabem, perdi o meu pai no dia 25 de Abril desse ano, logo após o feriado de Páscoa. Antes disso, sai de Sampa as pressas na madrugada do dia 17 e nem passei em casa, fui direto para onde meu pai estava internado. Assim, vamos la… eu acho que quando temos a famosa expressão “Pessoas só aprendem quando a água bate na bunda” na sua cara, você aprende como a realidade das pessoas são, e que você nessas horas não é diferente de ninguém com dinheiro ou não. Meu pai estava internado em um hospital público famoso dos jornais sensacionalistas dos programas “Datanescos” da Bahia. Além do choque inicial de ver o seu parente com outros doentes, melhores ou não que o seu parente, tinha que escutar miliantes baleados xingando qualquer um passando nos corredores…
Passando a tarde la, conseguimos mudar de hospital, fomos, para um dos hospitais mais conceituados de Salvador com especialidades em câncer. Tipo… essas pequenas coisas começaram a causar um pouco de revolta pela tamanha burocracia e sei la, despreparo desde médicos, enfermeiros, entre outros personagens nesse hospital, afinal foi complicado esperar quase 3 horas, dentro da ambulância, sala de espera, no corredor, para ver se seria internado. Para você que não entendeu: Foi dada permissão de troca de hospital com um leito mais decente, foi feito o transporte de ambulância de cadeira por mais horas. Bem, no final do dia o mais importante: Conseguimos, mas ainda tínhamos mais coisas para passar.

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Caraca…que foda de escrever.. mas vamos lá. Os dias seguintes foram eu revezando com meu irmão as madrugadas e minha tia com a minha mãe durante os dias. E as madrugadas eram bem pesadas. Meu pai ficou no leito do hospital junto com outras duas famílias. Além dessas pessoas, o hospital durante a noite eram muito mórbido, afinal as pessoas ali ou estavam em tratamento, ou ja tinham o diagnóstico que não tinha mais jeito. Igual ao caso da minha família. Era muito foda os barulhos, as vezes as rezas, choros, gritos, movimentações pra cima e pra baixo, enfermeiras entrando gritando falando com os pacientes para os medicamentos, e das 20h as 07h da manhã era isso, não mudava uma noite e eu odiava o cheiro do hospital.
Nessa rotina, era foda porque eu via que eu perdia o meu pai a cada dia… Cada momento noite que eu ia acabava sentindo falta de alguma coisa nele.  Era doloroso ver o corpo perdendo as forças, nas coisas mais básicas e reparar que a respiração dele ia ficando cada vez pior. Tinha muito medo de surgir algo mais grave e não dar tempo de fazer algo, ainda mais com aquelas enfermeiras la. que raiva que eu tive com eles, ainda mais quando eu solicitei. O foda quando alguém faz parte da sua Família, não uma estatística que sai no jornal.
Meu pai partiu na Sexta, dia 25, na hora do almoço. O curioso foi que era um momento no qual todos já tínhamos conversado sobre a situação dele no momento, que já não era mais o cara que tinha me ensinado tudo, o cara inteligente e culto que sempre lutou pelo bem da família e educação minha e do meu irmão já não estava mais ali. Ele já precisava descansar. Logo após a confirmação do óbito, acompanhei o meu irmão pela parte da burocracia de enterrar uma pessoa. Como até nesse momento de dor, as pessoas lucram com isso. Por mais que a Sra. Bob tivesse sido uma coveira, não sabia que a parte burocrática suja e a abordagem era totalmente sem meias palavras e tratadas como se você tivesse pedindo um lanche no MC Donalds…
Depois de muito dinheiro e enterro, teve a parte de avisar aos amigos e a dolorosa semana para aguentar o vazio. Aqui na casa dos meus pais é muito mais evidente, quando estava na parte debaixo da casa, na minha cabeça ele estava tirando o seu cochilo na parte de cima e quando estou na parte de cima da casa, sinto ele na parte debaixo da casa assistindo o futebol ou lendo um livro. Foi barra ver que realmente o espaço da Sala onde ele ficava esta vazia e que a pessoa que tava ali não vai voltar mais.
Bem, acho que deu pra dividir um pouco a dor que foi e que conforte alguém que já passou ou está passando pela mesma situação. É uma barra bem difícil, não tem como fugir e é uma lição para valorizar cada momento quando você ta com uma pessoa que você ama muito. Me desculpem se ficou sem sentido algumas partes, mas gostaria de deixar aqui a minha homenagem em forma de saudades e que sim, esse cara vai fazer muita falta na minha vida, mesmo eu estando lutando em distância muito grandes. Obrigado por tudo pai e pela chance de eu ainda curtir um pouquinho estar do seu lado.

Valeu pessoas e até a próxima!

ASSBob