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Salve saudosos hominídeos renegados, eis que estou eu, PDC!
Invadindo o Café com Nerdices para passar a minha visão sobre o evento que movimentou o mundo dos quadrinhos este mês. Sim senhores, tenho a honra de abrir a semana renegada que lhe dará todo gostinho do que foi o FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos– que rolou entre os dias 13 e 17 de novembro em Belo Horizonte, Minas Gerais. Se você gosta ou não de quadrinhos peço para que se atenha até o final do texto, porque o que será relatado aqui não é apenas o que foi este evento, mas sim, o que foi essa experiência, além de o porquê, eu saí dela, sentindo que o cenário pop pode mudar drasticamente depois do que aconteceu lá.

Antes de tudo, adianto que não sou “fanático” por HQs, apesar de ter uma quantidade de gibis até aceitável, nunca fui aquele aficionado pelos grandes arcos, histórias icônicas e exemplares únicos de artistas consagrados. Conhecia uma ou outra história boa e tinha curiosidade de consumi-las, sempre de heróis, sempre de Marvel e DC, com uma ou outra rara exceção deste eixo. Mas neste FIQ um admirável mundo novo se abriu.

Admito! Esperava uma convenção maluca como aquelas que vemos em filmes, com pessoas encarnando heróis em fantasias duas vezes menores do que seu número de roupa, e inúmeros Sebos vendendo gibis velhos e uma ou outra grande loja aproveitando a “deixa” para vender seus quadrinhos mais caros. Obviamente que isso ocorreu no FIQ 2013, mas tinha muito mais, muuuuuito mais!!

fantasiados

Eu, o noob, ao entrar naquele espaço reservado ao evento, me deparei com obras dignas de exposições em grandes museus de arte, elaboradas por autores que usavam diversos tipos de formas, técnicas variadas de pintura e desenho, aquarela, nanquim, canetas Bic… Tudo! Coisas capazes de em três ou quatro quadros te instigar a questionar, te gerar um riso sincero, ou simplesmente embasbacar-te com o talento do artista em seus traços. Em seguida, entrando de estande em estande, vi diversos artistas ali, mostrando seus trabalhos, obras que por muitas vezes não possuem outra vitrine tão chamativa. E que carregam em suas páginas o sonho de cada ser humano ali, que as oferece, junto com horas de sono abdicadas dentro de uma rotina que disponibiliza o espaço que fica entre o trabalho que gera o pão de cada dia e a família e seu lazer, obviamente que este ultimo sede muito mais que os outros para que aquele pequeno sonho oferecido estivesse ali, naquela prateleira, ou nas mãos dos próprios artistas.

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Contudo, toda essa magia do FIQ relatada até o momento, não passa do mínimo que um evento desse porte deveria gerar, entre desconhecidos e destacados, tudo se dirigia a um ponto, a força que o cenário brasileiro de quadrinhos pode passar a ter, e isso sim foi algo que eu jamais vou esquecer na minha vida.

Este FiQ teve Laerte como homenageado, e proporcionou muita alegria aos fãs de quadrinhos como a presença do ilustre Geroge Perez, responsável por grandes sagas principalmente na DC, mas foi um singelo grupo de “desconhecidos de honra” que roubaram a cena no momento dos anúncios dos próximos títulos do selo Graphic MSP, com uma das cenas mais emocionantes que eu já presenciei nestes meus anos que já me levam os cabelos.

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Os personagens de Maurício de Sousa desde o lançamento de “Astronauta – Magnetar” foram sendo imaginados na cabeça de muita gente com novas roupagens, após “Turma da Mônica –Laços” a coisa só elevou as expectativas. Quem leu sabe do que eu estou falando, quem não leu precisa se inteirar do assunto URGENTEMENTE.

Consolidado, o novo selo já provou ser uma ferramenta extremamente interessante para fortalecer artistas independentes do cenário nacional, e talvez a maior que já tivemos em nossa história. Daí o resultado foi que ao citar o nome de cada artista que iria estar envolvido nos próximos títulos do selo, por mais que o artista já tivesse recebido a notícia a reação era de extrema emoção, como se   ( em exemplos tipicamente tupiniquim) o cara tivesse sido convocado para seleção brasileira, o que não acho ser uma comparação indevida, por que realmente o era, uma convocação para o seleto time que terá um dos muitos universos criados por Maurício de Sousa em suas mãos para lhe dar sua visão.

Novos artistas

Assim, enxergo que esse momento do FIQ foi um marco, porque como o próprio Maurício ( um visionário!!) disse, os títulos, que incluem já Chico Bento em Pavor Espaciar e Piteco em Ingá, lançado nesta FIQ, além dos que virão, poderão pular para outras mídias, gerando animações, filmes, games, enfim … uma gama infinita de um produto nacional, gerando conteúdo nacional e por que não ascendendo nestes outros cenários independentes o material necessário para sermos fortes geradores de conteúdos artísticos desse que podemos chamar de “Nosso universo fantástico” .

Esperançoso, orgulhoso e motivado pelo que conheci nesse FIQ espero que outras pessoas tenham através deste texto despertado ao menos o comichão de procurar esses títulos e outros gerados por nossos artistas, que não tem traço americano, ou japonês, mas tem o traço e arte livre e miscigenada, porque isso é Brasil!

asspdc