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Houve um tempo, em anos passados, que as Nove Cidades Livres de Andor eram protegidas por Dragões. Cada Dragão possuía um poder e um elemento único, poderes jamais vistos e nunca compreendidos, poderes da natureza, da vida e da morte. Alguns inclusive achavam que a natureza, a vida e a morte eram representados por eles. Os Dragões protegiam as cidades e o reino, de um mal antigo e duradouro, a Longa Sombra do Sul, ou o Falso Reino.

O Falso Reino situava-se após a Floresta Escura, onde habitavam animais sombrios mas que não ousavam deixar suas sombras, os Campos de Vitendor, cuja vigilância era voltada ao sul e nunca vacilava, e o Deserto Branco, com suas areias fantasmagóricas e inexploradas.

Pouco sabia-se sobre os Dragões naqueles dias. Haviam aqueles que passavam uma vida estudando seus hábitos, sua língua e sua origem, mas pouco fora obtido além do que já era sabido.

Sabia-se que eram irmãos e chamavam-se dessa maneira nas raras vezes que falavam o idioma comum, o Andorin. Cada Dragão protegia sua cidade e suas províncias adjacentes, com uma fúria sem tamanho e um instinto misterioso. Nenhum Dragão obedecia aos homens, eram animais ferozes e não se deixavam domesticar, por este motivo todos os temiam e alguns os odiavam, como o rei Arelon, que era conhecido como o Rei dos Homens e não o rei de Andor.

tumblr_lpp0aqMt1c1qmtmspo1_500 Os verdadeiros reis de Andor eram os Dragões, e assim o povo os chamavam, para o desagrado de Arelon. Alguns diziam que os Dragões eram presos às cidades por uma magia muito antiga e poderosa, de um tempo há muito esquecido, dos primeiros povos de Andor, os Banedúim, outros que eles permaneciam apenas por suas Torres-de-Dragões, onde recebiam alimento sem necessidade de caça, eram cultuados como Deuses e passavam a maior parte de seus dias descansando, o real motivo era um mistério, desde a construção das cidades pelo Falso Rei, Dorean.

Com Wargs, guerreiros Bulks e criaturas horrendas controladas pelo Falso Rei, eles atacaram Andor durante anos. A ira de Dorean aumentava em seu coração, em forma de sombras e dor, e ele não buscava nada além de destruir aquilo que um dia criou.

Por mais seguras que fossem as Nove Cidades, suas províncias e toda Andor, os ataques ocorriam. Fazendeiros perdiam animais para Wargs famintos, e Bulks mortos de fome invadiam cozinhas e despensas de vilas mais afastadas. Eles estavam espalhados desde o Portão de Gelo até Bolkur. Mas as invasões eram raras e, quando ocorriam, os Dragões protegiam o reino com louvor. Apesar de temerosos, os homens de Andor os tratavam com amor, carinho, presentes e glórias, e eram retribuídos com proteção e fidelidade. Os dias eram claros e longos, o inverno era ameno e a primavera era bondosa, não havia fome, as colheitas eram generosas, os rios repletos de peixes e Andor viveu a Era da Boa Fortuna. A era de alegrias e paz. E com os Dragões essa paz duraria por toda a eternidade.

A eternidade acabara há dez anos.

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