CR4

-Saiam!!! Saiam todos!!!

Tenho que correr. O que são essas pessoas? Meu Deus… Tenho que sair daqui! Essas pessoas, o jeito que encaram, que falam, nossa, que dor no meu estômago. Poxa, fome?! Agora não! Que merda de peso que esse lugar traz. Suas paredes desgastadas com o tempo, disfarçadas com propagandas de grupos fúteis, com detalhes de gotas vermelhas que escorrem sutilmente desenhando a verdadeira realidade. O peso real. Minhas pernas, antes fortes e determinadas, agora, trêmulas e indecisas. Por quê cada vez mais tenho que descer essa rua para uma fuga real e… Meu deus…

– NÃO! NÃO!! SAI PORRA!!

Caramba! Por pouco. Esses seres.. Não suporto. A pressão do preciosismo imposto por uma cultura escrita e hipócrita me consome, assim como essa rua. Nem os cachorros e pombas se atrevem a entrar nesse caminho. Hauahua, esqueci dos ratos. Sempre esqueço deles. Assim como sempre esqueço da minha dor de cabeça, na qual eu admito que me traz a verdade e a lembrança que eu ainda sou um humano, ainda tenho meu direito de errar e lutar por esses ideais…

-RRRRWwWwAAArRrRrggghh!!!

Maldita dor! Essas pessoas paradas, me olhando… Sinto essas risadas irônicas, escondidas atrás de um efeito químico ilusório de prazer temporário. Maldita dor de cabeça! Tenho que relaxar. Não estou mais conseguindo me esconder, minha concentração é atrapalhada por cada notícia, de cada chacina, cada desastre. O que essa cidade já tinha de ruim, agora quase uma guerra civil e essas pessoas não enxergam dos seus apartamentos luxuosos longe do inferno aqui e… Olha la! Novamente a histórias se repete com os viciados nessas merdas… Como se permitem a isso… A maldita dor de cabeça. Maldito sino!

-Queria que morresse todos.

Uma horas depois, o silêncio e desespero se tornam focos de todos os telejornais. Suspeitam que uma arma química tenha sido liberada nos arredores da estação da Luz.  Seria, sim, uma bomba se os corpos recolhidos pela cidade não tivessem sido marcados com símbolos curiosos. Enquanto todos olhavam para baixo, apenas uma câmera de vigilância conseguiu registrar uma criança, entre 10 e 12 anos olhando corpos se desligando. Acompanhada de uma sombra o dobro do tamanho dela… sem as pernas.

Vídeo Moral da História