CR1

São Paulo. 28/12/2012
Linha Esmeralda, 8:30h

7 dias se passaram depois do anúncio de Fim do Mundo e dos alinhamentos dos planetas. Nada aconteceu pelo olhar cego de sociedades, totalmente descrentes e banhadas pela cultura televisiva e músicas sem cunho informativo ou ideológico.
Nicolas mais uma vez envolvido pela multidão, atrasados para o seus respectivos trabalhos ou não, vão entrando e se espremendo de formas cada vez mais desumanas e injustas. Mulheres grávidas e senhoras perdem direito para diaristas periguetes e molecadas irresponsáveis.
Mais uma vez, desde o dia 21, Nicolas sente dores… Essas dores são como mãos e olhos pegando fogo. A mesma sensação sempre acontecia quando via senhoras caírem no vão do trem, sendo humilhadas pelas pessoas que ficavam perto das portas, com sorrisos sarcásticos e ofensivos. E isso consumia Nicolas. Sempre refletia:
-Como podem… Como podem sempre aceitar isso… filhos da…

Uma dor aguda queima bruscamente dentro do peito de Nicolas…

-Ei moço… Você está bem?! – dizia uma estudante indo para seu cursinho.
-O que parece? – respondia Nicolas – Relaxa… Eu to bem…
-Não parece… Nossa.. O que são isso nos seus olhos… -Algumas pessoas começam a olhar curiosos pelos constantes gritos e rugidos de dor de Nicolas.
-Eu estou bem… Não me toque – Nicolas tenta afastar a moça com as mãos.
-Moço, mas…
– JA FALEI PARA NÃO ME TOCAR!

A Vila Olímpia nunca foi centro das atenções e nunca foi alvo de tantas manchetes quanto nesse dia. A estação Vila Olimpia estava em estado de guerra. A passarela não existia mais, a explosão deixou alguns vagões esmagados com carros e caminhõess na Marginal Pinheiros. Pessoas não paravam de chorar e gritar, policiais despreparados tentavam acalmar a população e ajudar os bombeiros nos focos de incêndios. O trânsito bateu recorde e aquele rádio, tocando funk no vagão onde Nicolas estava, voou longe e só deu defeito depois de ser definitivamente atropelado por uma ambulância, que levava uma das vítimas que ainda respirava, após um braço sem dono ter caído em sua cabeça. Nenhum vestígio de Nicolas foi encontrado pelas autoridades. Mais tarde no JN sai em uma matéria, Seu José, limpador de janelas de um dos edifícios dos prédios comercias da região, espantado mostrando uma das fotos que ficaram com bom foco do seu smartphone. Nessa foto está um rapaz, negro, careca, com roupas queimadas, com olhos vermelhos, tatuagens vermelhas como fogo e mãos em chamas. Seu José, não acreditou que viu algo a mais de 40 andares, parado, olhando pra ele, deixou tirar as fotos. No que ele reparou uma carteira no chão, a entidade desapareceu e assim que ele abre a carteira, mostra a identidade para as cameras: Nicolas Bernard.

Continua…