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“Em um mundo mágico…
Cheio de mistérios e fantasias…
Onde sonhos são reais e os medos, desafios a serem vencidos…
Vive uma jovem aprendiz de Bruxa …
Seu nome é Morgana,
Mas pode chama-lá de Mô!
Junto com seu gatinho Darazar,
Mô irá enfrentar muitos desafios!
Aventure-se”.

Mais uma vez estou aqui para colocar a vocês quais as minhas impressões sobre uma obra infantil. Nada mais justo sendo o único renegado pai rs.

Fico feliz em poder exercitar essas impressões pois assim posso compreender, com olhar crítico, o que pode chegar às mãos dos nossos pequenos e quais os tipos de valores que tais obras podem adicionar ao desenvolvimento deles.

E neste livro, da autora Chairim Arraim, vê-se  uma história muito meiga, em quadrinhos coloridos em sépia, que da um charme todo especial , e que tem muito mais a enriquecer do que até mesmo, creio eu, era meta de sua idealizadora.

A historinha se foca em uma bruxinha chamada Morgana, apelidada carinhosamente de Mô, em uma realidade onde seres mágicos, como fadas e bruxas, tem sua origem desenvolvida pelo sentimento que alimentam, assim, uma fada que alimenta sentimentos ruins como, raiva e rancor, se transformaria em bruxa, ao ponto que, uma bruxa que se sentisse amada e se alimentasse desse sentimento bondoso, iria se tornar uma fada.

E assim temos o desenrolar da historinha, com a bruxinha Mô desenvolvendo suas aptidões (ou inaptidões rs)  para magia, ao auxílio do fiel e engraçado gato “Darazar”.

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Quando se trata de histórias com protagonistas sendo bruxas, vampiros ou qualquer espécie de monstro, automaticamente nos vem a ideia de que “tá começando mau e vai se tornar bom”, diria até que depois da modinha de vampirinhos teens e ogros xodós da moçada, as bruxas são as únicas que ainda tem essa visão marginalizada na cultura pop atual, se é que podemos chamar assim.

É aí que eu gostei muito de uma das características do livro da Chairim: logo de início, ela imerge a criança num conceito de que “Fadas ruins viram bruxas e Bruxas boas viram fadas” levando a criança a entender as “regras” do universo da história. Em seguida, ela nos apresenta  Mô, uma bruxinha de fisionomia amistosa, jeitinho meigo e até um nome gostoso de falar, “Mô” rs.

Com isso, a criança obviamente tende a acreditar que esta bruxinha, após todas as suas estripulias, deve acabar encontrando um amor e se tornando uma fada, mas a proposta nesse volume acaba sendo outra.

Darazar, de um jeito amistoso e compreensível para as crianças, indica que Mô tem seus atributos especiais mesmo sendo bruxa, e que, diferente dos demais seres, existem detalhes que a rodeiam que somente ela, como uma bruxinha, poderia enxergar.

Aí está a magia da literatura para uma lição importante na realidade atual. Hoje, devido a facilidade de informações e a possibilidade que qualquer um possui de mostrar o que está fazendo, tendências nascem e desaparecem a  todo instante. Uma pessoa que não desenvolva a aceitação do seu próprio “eu”, em meio a essa torrente de tendências, será sempre infeliz, buscando sempre agradar a todos e não conseguindo jamais desenvolver ou expor quem realmente é.

De maneira meiga, o livrinho mostra que, as vezes, as taxações não condizem com o que realmente está ali. Pode parecer aquele tema clichê de histórias infantis mas de maneira alguma isso é contado de uma maneira repetitiva. Só o universo criado e a regrinha que eu evidenciei no início deste texto já mostra que a criança vai ser levada a concluir por si só isso.

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O único “porém” é que, infelizmente, neste primeiro volume, somente na ultima página teremos a inserção deste desfecho, o que creio que exigirá um pouco mais da criança para entendê-lo no contexto geral do livro e torna explícita a necessidade de um próximo volume. Isto pode ser um ponto positivo se você, como pai, gostar de comentar sobre a história com o filho após a leitura e auxiliá-lo a compreender os pequenos sinais que a bruxinha Mô nos deixa para imaginar sua conclusão.

Recomendo muito. É uma leitura para ser feita junto ao filho que está ali nos primeiros anos da leitura e não largar na mão dele e mandar que se vire. É um livro feito para contemplar a graça da arte de Chairim, enquanto seu pequenino se diverte com as simpáticas e engraçadas encrencas de Mô e se aventura em uma de, quem sabe, muitas histórias dessa bruxinha.

Veja AQUI a entrevista com a autora na nossa cobertura no FIQ.

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