SINOPSE:

Quando as crianças do Mundo param de nascer, um Repórter se prepara para sua ultima matéria sobre o começo do Fim do Mundo.
É meia-noite quando a humanidade é surpreendida pela notícia: todas as crianças nascidas nos últimos 12 meses morreram misteriosamente. Descobrem que plantas e filhotes também morreram. Um repórter responsável por cobrir os eventos preparativos para o fim do mundo, deixa sua esposa grávida em casa, partindo para uma perigosa missão investigativa, em que terá de enfrentar grandes desafios para proteger aqueles que ama.
Em Filhos do fim do mundo, acompanhamos a saga de um repórter tentando se equilibrar entre sua função de pai e jornalista em meio ao caos pré- apocalipse. As catástrofes se misturam com a tensão psicológica do personagem em um envolvente romance que vai encantar os amantes de ficção.

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Eu já vi muitas vertentes sobre o fim, mas poucas me envolveram tanto como em Filhos do Fim do Mundo.
Uma história cheia de mistérios, onde os personagens não tem nome. É isso mesmo, aqui nenhum personagem é apresentado com nome, eles nos são mostrados pela sua “função” o protagonista é o Jornalista, sua esposa é tratada somente como Esposa seu amigo é o padre e assim por diante, isso faz parte da decisão do autor de trabalhar com arquétipos, isso traz, na minha visão, duas grandes vantagens, uma é que a obra se torna mais “global”, pois você não tem nomes típicos e nem mesmo de lugares pra saber onde se situa a história, ou seja, ela pode estar acontecendo em qualquer lugar, inclusive no seu bairro, e aí está a segunda vantagem, a proximidade que você tem com tudo que está acontecendo, parece tudo tão perto, o Jornalista pode ser seu amigo que trabalha no jornal, o blogueiro aquele primo que não sai do PC e isso torna tudo ainda mais envolvente.

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Fábio Barreto (Barretão) é Jornalista há 16 anos e o trabalho dele nessa área tem total envolvimento com o cinema, e talvez por isso (ou não) a cada página que lia, eu via um filme passando na minha cabeça. Pesquisando sobre isso descobri que em meio o trabalho de elaboração da obra ele desenvolveu com um pensamento multi-plataforma, tanto que tem um curta metragem produzido por ele que serve como prólogo para o romance, e os erros e acertos desse curta tiveram influência direta sobre a obra, mudando o ritmo da narrativa (palavras do autor).
(Recomendo uma matéria feita pelo próprio autor no Brainstorm 9 sobre o assunto)
Falando um pouquinho da história, a la Y o ultimo homem (Brian K. Vaughan pelo selo VERTIGO) a situação do livro é catastrófica e misteriosa. Por algum motivo todas as crianças com menos de um ano morrem. Fatidicamente todas que nascem também morrem, e a coisa se agrava ao descobrirem que isso não está acontecendo somente com a fisiologia humana, mas também os outros animais e até mesmo a flora é afetada por sabe-se Deus lá o que… E o que nosso protagonista Ooo Jornalista tem a ver com isso? (leia com a voz do Emílio Surita), bem a Esposa dele está grávida de nove meses, e ele foi escalado pelo seu chefe para investigar sobre o ocorrido, já é de se imaginar a tensão que a narrativa ganha com essa mistura de interesses profissionais e pessoais. A trama tem algumas reviravoltas e tem um ritmo interessante. As teorias começam a brotar conforme o andar da carruagem, e desde uma anomalia atmosférica até uma conspiração do governo para fins de beneficio próprio, tudo se torna uma grande possibilidade, mas apesar de toda essa correria, e toda a ação que isso acarreta não é nem de longe o que chama mais a atenção nessa história.

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O que mais me agradou são as relações humanas em meio ao caos, assim como em The Walking Dead (Robert Kirkman pela Image Comics), onde você pode tirar o fator zumbi e substituir por outra “catástrofe” e continuará tendo uma ótima história! É assim com Filhos do Fim do Mundo. Ouvi uma vez que um grande escritor é antes de tudo um observador dos costumes humanos, eu concordo plenamente com isso, a não ser que você só vá escrever coisas técnicas é extremamente necessário que você entenda as ações e reações humanas, suas crenças, instintos, e sobre tudo como nos relacionamos com o próximo e com o mundo. De certo, o Barreto fez essa lição muito bem, pois ele explora de forma muito sensível todo tipo de comportamento. Temos personagens que ficam desesperados, alguns se apegam a fé, outros abandonam todas as esperanças e temos os que conseguem manter a calma e pensar friamente mesmo com tudo que está acontecendo, o protagonista que é, na minha opinião, o personagem mais maravilhoso da trama vai do céu ao inferno com cada fato descoberto sobre o ocorrido.
Tive o imenso prazer de conversar com o autor no ultimo YouPIX em São Paulo, e perguntei se o motivo de o Jornalista ser tão bem construído se devia ao fato da experiência dele com o oficio, e se ele havia se baseado nele mesmo para construção do personagem, a resposta foi que o Jornalista é o que ele queria ser, isso no que se trata ao trabalho em si, pois como ele é envolvido mais no ramo do cinema, o personagem é o que ele sonhava em ser como um correspondente internacional em campo.
Eu recomendo fortemente que todos leiam essa incrível obra que dá orgulho de ser feita por um brasileiro. Espero que o autor continue nos presenteando com mais romances desse nível e que a obra sirva de inspiração para novos talentos.
Você que já leu esse livro fantástico deixe nos comentários sua opinião, os que não leram podem comentar também sobre suas expectativas e impressões, e  fiquem de olho no nosso cast que de repente pinta um Papo Renegado com esse autor de quem ainda vamos ouvir muito falar.

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