death

Olá meus caros amigos! Primeiramente gostaria de me desculpar pela demora. Como devem saber, ser prefeito de uma grande metrópole não é fácil. Mas quem é vivo sempre aparece, certo? E vejam só, quem é morto (ou eterno), às vezes também aparece.

Há um tempo adquiri em um sebo (vá a sebos sempre. Tem coisas boas e relíquias espetaculares) as três revistas da minissérie Morte: O Preço da Vida por Neil Gaiman. Trata-se de um pequeno Spin-off da Morte, irmã de Morphues – Não! Não o Laurence Fishburne e sim Devaneio, Oneiros ou, como você deve conhecer, Sandman. Um grande par de aspas aqui. Caso você não faça a menor ideia de quem seja Neil Gaiman, não conheça nenhuma de suas obras (sério?) e nunca leu NADA de Sandman, por favor, faça TUDO isso após terminar de ler esse texto!!

Muito bem. Voltando à vida (ou à Morte), em Morte: O Preço da Vida, somos apresentados a Sexton Furnival (é eu sei, e ele também sabe, acredite), um depressivo e solitário adolescente de 16 anos, assim como muitos de nós fomos (talvez ainda somos) que mora com sua mãe no subúrbio de Londres.Para fazer a faxina de primavera, a mãe de Sexton o “expulsa” de casa por um dia. Nesse dia fora, ele acaba encontrando Didi, uma linda e alva gótica que o tira de uma pequena enrascada.Didi também é uma jovem solitária que mora sozinha, perdeu a família em um grave acidente, sem muitos detalhes. Sua vida e suas lembranças parecem falhas, como se tivessem sido implantadas naquele pequeno espaço de tempo. Apesar das pessoas se lembrarem de Didi, de “conhecerem” ela, Sexton tem a sensação de que há algo diferente. E tem. Didi na verdade é a Morte, que está passando o seu dia viva. A cada cem anos, a entidade que conhecemos como morte tem o direito e o dever de ter o seu dia como uma viva, sem se lembrar de quem é, vindo a existir como uma pessoa comum.

Não vou entrar em detalhes para não estragar a história. É claro que existem forças e pessoas que sabem que ela é a Morte e vão atrás dela, seja para recuperar um coração perdido ou para conseguir seu Ankh que ela sempre carrega pendurada no pescoço. O que importa nessa história é que a Morte (ou Didi) está viva e, como tudo que está vivo, morre. Ela de alguma forma pressente isso e Sexton tenta entender o porquê daquela garota estar vivendo tão intensamente, o porquê dela estar aproveitando tudo da vida, sendo que ela ainda é tão jovem.

Morte: O Preço da Vida traça um paralelo muito interessante sobre a ideia que nós temos de Morte. Primero porque a personagem criada por Neil Gaiman, presente nas histórias de Sandaman, foge de todo o estereótipo que costumamos ter sobre a morte, de ser algo terrível e ameaçador. Temos então uma doce garota, curiosa e prestativa. Se bem me lembro, existe um diálogo muito interessante em uma das muitas páginas dos encadernados de Sandaman que explica bem isso. Um garotinho que acabou de morrer encontra essa jovem e a questiona. Ela prontamente se apresenta como a Morte e brinca, com algo do tipo “esperava alguém de manto preto e foice? Até que sou magra mas não tão ossuda”.

No decorrer da história, ela explica ao garoto que não é por ser a Morte que ela vai atrás de todo mundo que está morrendo. Muito pelo contrário. Apenas os merecedores, aqueles de quem ela tem orgulho, respeito e até curiosidade, é que são recepcionados por ela do outro lado. A Morte que Gaiman nos traz é alguém que respeita a vida, alguém que imprescindivelmente sabe a importância de estar vivo.

Quem você prefere que venha te buscar?

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E é essa importância que é demonstrada em Morte: O Preço da Vida. Em apenas um dia, Didi (ou Morte), por algum motivo que ela não sabe, tem a vontade, a ânsia de aproveitar tudo aquilo que lhe é tirado no fim.Como em muitas histórias do Sr. Gaiman, essa é mais uma reflexão da vida real, a desmistificação da Morte como um ser maligno, apresentando-a como um ser puro, ingênuo. A ideia de que a própria entidade Morte é obrigada a entender o que é a vida e a forma como ela vive esse dia, mostra o quão precioso é estar vivo. Para mim em Morte: O Preço da Vida, Gaiman é claro: nos faz parar de temer a morte e aceitar que um dia ela chega para você, seus pais, seus amigos, seus amores. Mostra que devemos sim aproveitar sempre o máximo que podemos na nossa vida. Parafraseio Didi, e nessa parte apenas Didi, a pessoa viva: “Tive um dia (um vida) adorável”….

Não quero terminar esse texto de forma triste, mas sempre gosto de trazer a reflexão por trás das coisas, e após ler Morte: O Preço da Vida eu fiquei pensando se estou fazendo da minha vida adorável o suficiente, para que quando minha hora chegar, eu ter a honra de ser recepcionado por essa perpétua. E você, já parou pra pensar a sua vida ? Se uma coisa é certa, essa coisa é a morte. Pois até a Morte tem seu dia de morrer…

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