JR | AMY

Seguindo a regra das grandes indicações, hoje vou voltar a falar de uma pessoa a quem já tinha citado antes nesta mesma coluna.
ha alguns meses, escrevi sobre o Clube dos 27 (clique aqui para ver), aquele seleto grupo de grandes gênios musicais a frente de seu tempo, que devido ao sucesso, fama e grandes pressões da sociedade acabaram entrando em vidas e vícios perigosos e findaram suas vidas coincidentemente aos 27 anos. A mais nova integrante deste grupo foi Amy Winehouse, a louca britânica do Jazz.

Amy começou a sua carreira musical muito cedo. Sempre foi uma menina do tipo levada com problemas com os pais. o Convívio em casa não deveria ser nada fácil, afinal ela e seu irmão conviviam com o casamento falido de seus pais, uma vez que o pai mantinha casos extra-conjugais frequentes. Tempos depois, foi morar com a sua avó que sempre incentivou o seu lado artístico, e a fez ingressar em uma escola de artes. Mas Amy não era bem do tipo que seguia as regras da sociedade. Era uma menina que queria viver a própria maneira. Graças a isso, acabou sendo expulsa da escola por indisciplina e se envolveu com as drogas com apenas 15 anos. Durante esta idade, após correr atrás dos papos certos, começo a realizar a sua ambição artística se apresentando nos bons e velhos Pubs ingleses. Apresentações discretas, pequenas mas eficazes e que aos poucos foram mostrando ao público amante do Jazz que aquela menina tinha chegado pra ficar.

Amy entrou para o mundo profissional da música ainda muito jovem, cheia de ideias inovadoras e pensamentos de liberdade diferentes do que toda a casta da “Família direita Britânica” poderia um dia aceitar. ao chegar com suas propostas o primeiro instinto de qualquer dono de produtora é bater a porta na cara dessa menina maluca. Mas ao utilizar a sua ferramenta de venda, chamada Voz, não havia como não se convencer de que havia potencial para milhões ali.

Amy assinou contrato e começou a produção de seu primeiro álbum ainda menor de idade, sendo que só iria completar 18 no ano seguinte. O Álbum Frank, veio com o início de sua proposta para a nova música britânica, e de fato foi bem avaliado pela crítica especializada no assunto. mas não atingiu público suficiente para chegar ao status de sucesso comercial. Mas e daí não é? Michael Jackson ganhou apenas um Grammy com seu primeiro Álbum solo.
Amy seguiu criando e compondo da maneira como melhor achava e vivendo de acordo com seu ideal de liberdade. O sucesso de fato ainda não havia chegado, mas seu sonho estava se realizando. Ela queria ser livre fazer o que quisesse e cantar da maneira como sabia sem se importar com o que os outros pensavam

Foi com Back to Black, que o tal Sucesso comercial finalmente chegou. Amy, de uma livre mulher com prazer nas coisas simples e em ser livre, passou ao status de diva e lenda da nova música britânica, trazendo consigo a tradição do Jazz e do Blues em sua essência, contrastando de maneira inigualável com o cenário da música dos anos 2000. Consideraram-na a maior revolução da música britânica, e logo o mundo cantava Rehab em uníssono enquanto a mesma estava presente através da televisão e rádios.

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Infelizmente, quando se chega ao topo, muitos acabam encontrando algo que os faz decair. No caso de Amy, talvez o principal culpado tenha sido o casamento. Sua conturbada união com o assistente de vídeo Blake Fielder, acabou culminando em diversas brigas que vieram a público e consequentemente acabaram mostrando ao mundo o que os dois faziam entre quatro paredes. Alcool, drogas pesadas e loucura, acabaram se tornando sinônimo de Amy Winehouse durante algum tempo. Após tentar largar as drogas, Amy ainda tinha sérios problemas com alcoolismo. Turnês canceladas e Shows interrompidos pela metade, fizeram o mundo se esquecer da genialidade de outrora e vê-la apenas como uma decadente coitada.
Por um instante, houve esperanças com a notícia de que ela estava controlando o alcoolismo e se concentrando em se livrar dos vícios. E então como um duro golpe que vem sem ser esperado, em 23 de julho de 2011 é encontrada morta em sua casa. A causa oficial é intoxicação por alcool. Talvez uma recaída ou uma crise de abstinência forte demais tenham causado a tragédia. Mas o legado deixado por ela no mundo da música nunca foi tão forte quanto neste momento.

Juntando-se ao clube dos 27, Amy juntou-se também ao Hall dos Imortais. Sua voz característica e sua música vão continuar por muitos anos mais assim como os outros antes dela.

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Para finalizar deixo aqui a minha impressão sobre a peça M mais de perto. Um musical que assisti no Teatro Italia, encenada pela equipe de teatro Dom Caixote, equipe essa que nossa amiga Flora Paulita integra. A peça mostra de maneira metafórica e artística como passou a vida de Amy e o que se passava na cabeça dela nas diversas fazes de sua jornada, da saída da casa do pai até o declínio e vícios no casamento conturbado. Com encenações brilhantes e interpretações das músicas impressionantes, digo sem dúvidas que foi um dos melhores musicais que assisti em um bom tempo. É impressionante como de alguma forma, todos do elenco fazem diferentes papeis e ao mesmo tempo todos são Amy Winehouse.

Ela foi uma grande mulher. Lembrem dela com carinho.

  • Fodástica coluna Eric, adoro o som da Amy, uma pena tamanho desperdiço, deixou um legado porém poderia ter nos dado muito mais, eu sempre falo que a galera idolatra asses astros que morrem cedo por drogas e vícios como se todo gênio fosse assim, mas é preciso lembrar que da sim pra ser gênio, astro, ícone e permanecer com uma carreira sem grandes escândalos e o melhor vivendo bastante e enriquecendo o mundo com sua presença por um bom tempo. Taí Stevie Wonder que não me deixa mentir.

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