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A primeira coisa que eu pensei assim que me veio a idéia de escrever essa postagem foi: Por quê?

Sim, o porquê de escrevê-la. Será que a internet já não está super faturada de informações (e desinformações) sobre as manifestações? O que não falta por aí são pessoas inteligentes e bem informadas falando do assunto, tantos pseudo-politizados querendo mostrar que conhecem sobre a história do País e querendo prever o futuro com base no que vem acontecendo. Por que escrever?

Então me veio no pensamento as centenas, se não milhares, de vezes que a mídia martelou na minha cabeça notícias que eu nem queria saber, coisas que não tinham utilidade nenhuma para minha vida, e a pergunta na minha mente mudou: – Por quê não?

Vou contar aqui como foi a segunda-feira, dia 17, a minha primeira experiência numa manifestação, e o que isso mudou em mim, afinal, o que vai mudar no País veremos nos próximos capítulos!

Fui até a estação luz com mais duas amigas, lá encontraríamos mais gente, o engraçado é que avistei duas conhecidas, com uma delas eu falei e ela também estava indo para o protesto, achei uma feliz coincidência, mas tudo normal até então.

 

reallyDepois de alguns desencontros chegamos na estação Faria Lima, onde eu vi uma das cenas mais bonitas da minha vida, jamais senti tanta energia positiva. Meus olhos brilhavam ao ver aqueles cartazes, a quantidade absurda de gente e as luzes formando desenhos e dizeres de paz nos prédios. Aquilo tudo jamais aconteceria somente por 20 centavos.

” Olha que legal, Brasil parou e nem é Carnaval.”

Começamos tímidos, batendo algumas palmas, e acompanhando somente alguns trechos dos gritos de protestos, devo dizer que alguns me surpreenderam com tamanha criatividade e perspicácia, e outros até mesmo com bom-humor. O cenário não era a guerra que eu esperava depois de acompanhar as notícias do manifesto de quinta-feira, dia 13. Não havia represália policial, na verdade mal havia policia…

“Que coincidência, não tem policia e não tem violência…”

Enquanto a Sadic filmava, e a Mari fotografava com seu celular, eu observava curioso a reação de cada pessoa, desde os fotógrafos nas árvores, em busca de um ângulo diferente e uma fotografia única, até um grupo preocupado em bolar um novo grito que empurrasse a galera. Encontrei no meio da marcha um companheiro de classe com sua amiga, e eles se juntaram a nós. Mais uma feliz coincidência.

“O povo acordou, o povo decidiu, ou para a roubalheira ou paramos o Brasil.”

Continuamos a andar e a coisa toda não parava de me impressionar. Helicópteros de controle remotos faziam filmagens aéreas enquanto moradores da avenida estendiam lençóis brancos e jogavam papéis picados como gesto de apoio ao movimento que ficou conhecido como a Revolta do Vinagre.

“Ei, policia, vinagre é uma delicia!”

Eu ainda procurava a tal da violência e do vandalismo que a mídia convencional tanto falava e o mais perto que eu cheguei foi um garoto chutando umas placas que logo foi detido pelos próprios manifestantes enquanto  gritavam: – SEM VANDALISMO! – E um pequeno grupo que insistia em levantar bandeira de partido, uma guria quase deu na cabeça de um manifestante com o cabo da bandeira.

“O povo unido não precisa de partido.”

1017063_10200361327452669_843501112_nMais adiante, encontrei uma guria que fazia curso comigo, já fazia muito tempo que não a via e jamais esperei reencontrá-la em algo como aquilo, acho que ela estava com a mãe e ambas gritavam muito empolgadas em forma de protesto. Ali eu comecei a me tocar da grandiosidade da coisa toda.

Continuamos e, perto do momento onde, creio eu, o grupo se dividiu, encontramos a companheira Vicky Salles, com seu grupo, arrumando o cartaz mais nerd da noite. Trocamos algumas palavras e desejamos boa sorte um para o outro, nunca se sabe quando o jogo pode virar.

Pegamos o sentido da Marginal e passamos em frente a alguns grandes Shopping Centers.

“Ei playboy, sai do shopping e vem com nós. Ei perua, sai do shopping e vem pra rua.”

Voltando pra casa, a Sadic não parava de me bombardear com os acontecimentos que estavam chovendo nas redes sociais. De todos o que me deixou mais feliz, foi a tomada de Brasília, vi detalhes depois e essa imagem nunca mais vai sair da minha cabeça.

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No final da noite ainda teve gravação de um cast com outro tema, pois o das manifestações já estava no ar. Mas ao me deitar a única coisa que eu conseguia pensar era naquela rua, dominada por quem são os donos por direito.

“Você ai parado, também é explorado / Vêm pra rua vêm contra o aumento.”

995827_303310933137056_630315605_nFicou claro o motivo de eu encontrar tanta gente, finalmente eu tinha entendido, entendi o porquê haviam idosos e crianças no meio daquelas pessoas, entendi o por quê tantas figuras publicas voltaram atrás em suas opiniões sobre os protestos, de repente tudo ficou claro, era tão simples, e estava no grito deles o tempo todo, o “Gigante Despertou”, e o gigante somos nós, nós acordamos e percebemos que não adianta só reclamar, temos que tomar as rédeas, um voto com consciência pode ajudar a melhorar as coisas, mas a única coisa que garante a satisfação do povo, é a ação do mesmo, cobrança, pressão, olhar de perto e exigir satisfação de tudo, esse é sem dúvida um momento singular na história do País, um momento único na minha história, o momento onde eu realmente senti que todos eramos um só, todos os Brasileiros, inclusive os que estavam fora do País, juntos pelo um mesmo ideal. E se ir para a rua, e compartilhar essa experiência aqui tocar uma única pessoa que seja,  já vai ter valido a pena. Eu entendo quem não pode ir por que os pais não deixam, ou aquele que acha muito perigoso, entre outros “n” motivos, mas meu único desejo é que aqueles que puderem, venham, não só pela nação, por ideais, ou por melhoras, mas por você, eu garanto que nunca mais será o mesmo depois disso! Venha se sentir verdadeiramente conectado a tudo e a todos. É uma sensação única que você jamais vai esquecer.

“Da copa, da copa, da copa eu abro mão, eu quero mais dinheiro pra saúde e educação.”

Quem eu quero ver nas próximas manifestações…

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EU QUERO MAIS!

Atenção qualquer semelhança com Papo de Homem não é mera coincidência!
E se quiser saber mais sobre a parte violenta, leiam de quem presenciou esse lado.
Ilustradores brasileiros fizeram um movimento muito bacana apoiando as manifestações.

Ass_Bruno@bruno_renegados