Quantas vezes você parou em alguma noite de céu aberto e estrelado, encarou bem as estrelas e se perguntou:

“Será possível estarmos sós no universo?”

Bom, eu faço isso quase como uma oração toda noite, mas a verdade é que nós ansiamos chegar ao “Boss Stage” das revelações, sem nem sermos capazes de encontrar o “bônus stage” oculto na primeira fase. Por isso, trago a vocês uma nova moda das ciências biológicas que poderíamos chamar de “Ache o Wally alienígena terráqueo”. Exatamente isso que você leu. ALIENÍGENA TERRÁQUEO.

Porque SIM! Pode existir uma vida totalmente diferente de tudo que conhecemos bem aqui em nosso planeta, uma biologia tão distinta da observável que não seria surpresa encontrar Kaijus ou Godzillas nessa área, estou falando da enigmática Biosfera Sombra!

kaiju

Recordando um pouco alguns conceitos para avançarmos, biosfera seria a faixa de nosso planeta onde se localizam todas as formas de vida, tanto nos oceanos, rios e lençóis freáticos subterrâneos (hidrosfera), quanto no solo e nas formações rochosas (litosfera) e na atmosfera formada pelos gases. Ok, mas aonde entram os alienígenas terráqueos nessa história? Bom, essa faixa de vida conhecida se estende desde o cume mais alto de montanha (Monte Everest, mais ou menos 8,8 km acima do nível do mar) até 11 km de profundidade abaixo do nível do mar (Fossa das Marianas, no Pacífico), sendo que o limite para as formas de vida encontradas até hoje seria a mais ou menos 9 km de profundidade com bactérias.

Embora seja sabido que dentre os organismos vivos conhecidos existam muitas formas de aquisição de energia e metabolismos, a vida se utiliza dos mesmos elementos em todos esses organismos. Assim, carbono, nitrogênio, fósforo dentre outros, são indispensáveis para qualquer forma de vida, mas… E se existissem estruturas no meio de toda essa vida conhecida que possuem uma biologia totalmente diferente?

A descoberta deles é como pensar em seres místicos como fadas e duendes coexistindo com o nosso mundo sem nunca terem sido detectados. Mesmo!

Esse termo Biosfera Sombra foi usado pela primeira vez pela pesquisadora filósofa Carol Cleland e sua colega microbiologista Shelley Coplay (Parece uma versão feminina de Sheldon Cooper rs) e defende que procurar formas de vida não pode restringir-se à vida seguida exclusivamente pelos nossos padrões, logo, encontrar essas formas de vida que eles denominam como “estranhas” em nosso planeta seria crucial para nos orientar na busca pela vida além do planetinha azul. Essa linha de raciocínio agradou aos astrobiólogos Chris Mckay que é Motherfucker da NASA e Paul Davies um daqueles grandes cientistas POP.

Esse tipo de discussão teve seu auge em 2010 quando a NASA surpreendentemente, durante uma conferência, anunciou ter encontrado em um lago da Califórnia uma bactéria que poderia ser o primeiro ser a sair dos moldes da vida que se tinha notícia. Essa bactéria “alien” estava nesse lago que era muito tóxico para a maioria dos seres vivos existentes, com altas taxas de arsênico. Até aí é bizarro mas tudo bem, o que viria a ser surpreendente seria que esta bactéria não só vivia num meio muito inóspito mas que devido a carência de fósforo (elemento considerado básico à vida) o substituiu pelo arsênico.

Ambos possuem configurações semelhantes, mas seria a primeira vez que um organismo teria em sua molécula de DNA, rastro mais antigo da vida na Terra conhecido, uma nova formação.

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Embora tenha sido um grande achado, em 2012 alguns trabalhos refutaram os resultados dessa pesquisa, dizendo que poderia ter havido uma contaminação do meio com fósforo que possibilitou o desenvolvimento das bactérias, mostrando que embora resistentes ao arsênico, estas seriam ainda dependentes de fósforo para desenvolver-se. A chefe da pesquisa Felisa Wolf-Simon diz que não há sinal algum de contaminação em seu trabalho e que os resultados destas novas pesquisas não o contradizem. Hoje em outro laboratório, Felisa diz que seu grupo continua a pesquisa sobre as bactérias que resistem a altas concentrações de arsênico.

Mesmo que isso possa ter gerado um grande “Aaaaaah…” de decepção, a motivação para a procura destes microrganismos se tornou mais intensa e alguns trabalhos podem reascender a esperança de comprovar a existência destes seres “alienados” de todo resto da vida no nosso planeta. Na superfície de algumas rochas do deserto de Atacama no Chile, também no deserto de Mojave na Califórnia e outros grandes desertos do mundo tem sido encontrado um brilhoso verniz composto de manganês, arsênico e sílica. Estudos buscam uma explicação para a geração desta substância e os geólogos ainda não encontraram uma explicação para o fato mas entre as vertentes mais fortes está a possibilidade de processos ecológicos desconhecidos ainda a serem estudados.

Mesmo que comecemos com essa busca neste universo microscópico, a cada ano novas espécies de animais, plantas e microrganismos são descobertas, o que nos deve trazer a reflexão de que não temos conhecimento total da vida aqui, muitas podem ter sido extinguidas sem nem ao menos terem sido classificadas. Nas profundezas abissais do oceano a vida ainda é uma grande incógnita e James Cameron (Diretor de Titanic e Avatar) em sua viagem inédita as profundezas pôde se deparar com uma pequena gama do que este mundo submerso tem a nos revelar.

marinas e cameron

Assim como eu disse no começo, às vezes não é necessário um acidente radioativo, basta fuçar onde ninguém ousa e você pode dar de cara com um Godzilla, ou se atentar naquela pedra sem graça e ver uma substância proveniente de um ser que viveria melhor em uma lua de Saturno do que aqui .

asspdc