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Olá guris, aqui se inicia a coluna Nada Disso! Onde proponho uma discussão sobre questões científicas levantadas na ficção, seja ela em filmes, livros, desenhos ou quadrinhos em papel higiênico e pensamentos filosóficos da vida que daria uma boa arte. Como primeiro assunto eu trago a vocês um tema de pernas curtas… Anões?…Não! A mentira!

Você já viu o filme “O primeiro mentiroso” (The invention of Lying)? Trata-se de um filme de 2009, escrito, dirigido e estrelado por Rick Gervais onde as pessoas não tinham a capacidade de levantar falso testemunho, é isso mesmo, a mentira não tinha vez, até que Mark Bellison personagem de Rick ,sofre uma alteração em seu cérebro que lhe concede tal habilidade, podendo transformar sua vida sem grandes ambições e infeliz em algo totalmente novo dentro daquele mundo.

Embora seja uma comédia o filme é rico na discussão filosófica da mentira em seus mais diversos níveis. Bom, agora vamos a parte legal! Você provavelmente já deve ter ouvido a expressão de que “mentir é feio” e caso tenha crescido numa doutrina cristã como eu, aprendido que o oitavo mandamento é Não mentirás! (sempre imagino a voz do Cid Moreira falando os mandamentos rs). Bom, acontece que a mentira ou a capacidade de mentir assim como o filme aborda, foi uma alteração vantajosa na história evolutiva do homem. Assim que a linguagem se tornou sofisticada, mais sinais e símbolos foram introduzidos em nosso complexo sistema de transmitir mensagens, com isso, nós conseguimos cada vez mais riqueza de detalhes daquilo que queríamos, quem éramos e tudo mais.

Chegando ao ponto que interessa, quanto mais esmiuçada é a informação, maior também é a chances de uma pequena alteração dentro dela mudar o seu sentido e assim criar uma mensagem diferente da original.

Caraca PDC explica direito essa bagaça!!

nervosinha

Ok, vamos com um exemplo, um cão, ele possui um sistema de comunicação dentro da sua espécie menos complexa que a linguagem humana, então, ele utiliza principalmente a cauda, latido e rosnado para demonstrar suas emoções. Assim, se um cão está com medo os sinais que indicam que ele está com medo são simples e claros, rabo entre as pernas e corpo curvado, um cão não consegue simular que não está com medo, pois seus sinais que transmitem essas mensagens são poucos. Além disso, se você estiver com ele numa região desconhecida e o que o assusta não for visível você entenderá que ele está com medo, mas só olhando para a reação dele não conseguirá entender do que. Isso é uma restrição que uma linguagem simples te dá, agora quando se desenvolve uma linguagem complexa como a fala, você passa a ter vários elementos que completam cada vez mais a informação passada. Então com isso, podemos concluir que a mentira nasceu junto com a capacidade e domínio da fala.

E temos que a mesma é uma vantagem justamente porque seja no alvorecer da humanidade ou nos dias de hoje somos seres sociais e isso quer dizer que nem sempre a verdade é boa.

Para entendermos isso vamos nos colocar no mundo de Mark Bellison do filme, imagine que você trabalha num escritório e chega uma funcionária nova que é muito feia e ao cumprimenta-la ao invés de você dizer cordialmente “Bom dia, é um prazer conhecê-la” você diz “Bom dia, você é a pessoa mais feia que eu já vi, espero que seja legal para compensar essa cara e eu poder ter algum tipo de prazer em vê-la de novo todos os dias.”

Triste?
Pense agora que de 10 pessoas 7 a achem feia, e os pais também, o motorista do ônibus que ela pega também… Enfim, esse mero cumprimento pode ser o estopim para um suicídio de uma pessoa arrasada pela verdade de outras. Por que sim, a verdade dói, mas lembre-se que a verdade não é a mesma para todos.

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E mesmo que você argumente que ninguém é obrigado a sair dizendo verdades por aí se lembra de que eu disse que era um cumprimento? Você mente em boa parte das regras de etiqueta, veja: “Prazer em conhece-la” dito antes de conhece-la,” não há do que”, normalmente você diz isso quando alguém agradece e se agradece é porque algo foi feito para merecer agradecimento, não?

Bom meu texto não é um incentivo a mentira, longe disso, mas sim uma reflexão de que somos mentirosos por natureza, e devemos reconhecer isso para encontrar onde estão as mentiras que nos cercam. Sabe como? Prestando atenção nos outros elementos de linguagem do corpo, ou seja, deixando de lado a complexa fala e observando as nossas reações mais primitivas. Os 43 músculos da face são estimulados de maneira autônoma pelo corpo quando uma pessoa que está mentindo é questionada, assim, algumas caretinhas acabam entregando nosso mentiroso. Alterações na respiração e o stress alteram a voz da pessoa em intensidade e tom, pausas de meio segundo são inseridas para tempo de raciocínio e elaboração de respostas além de reações que demonstram desconforto (Como mostrar até o dedo do meio inconscientemente). Para se aprofundar nesses artifícios recomendo outro material de ficção que é a série Lie To Me, onde um perito de detecção de micro expressões e linguagem corporal Dr. Cal Lightman (Tim Roth) auxilia a polícia na detecção de crimes, foi uma grande pena o cancelamento dessa série na terceira temporada 🙁 .

Lie-To-Me

Ouçam também os Renegados batendo um papo maroto sobre o assunto no Cast 31 – Pega na Mentira. Foi um prazer escrever pra vocês, só não maior que o prazer de ver vocês comentando… ou não rs.

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