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Sempre gostei de ficar deitada na poeira e sombras no domingo, meu corpo sempre ficou mais quente do que o asfalto.
Os sentimentos ficam mais agudos, tudo fica um pouco mais sensível, frágil. Perdi a fortaleza na fortaleza. Não sei o que sonhar quando o sonho vira realidade, e a realidade evapora as vidas que ficam, as que vão, que foram, e que chegam.

Eu quero o frio, porque o sol aquece demais. O chão queima, o corpo muda, a respiração ofega. Todo aquele tamanho lá fora eu não consigo, eu não consigo acreditar que o desejei. Sou tão pequena quanto os pequenos, por saber o tamanho deles e o dos outros.
Me larga aqui, sobrevivendo nesse sonho turquesa.
Me larga aqui nessa certeza, na incerteza. Me larga aqui nesse sonho. Nesse azul. Azul real.
Tudo amadurece. Fica comum, incomum, um tom meio verde escuro.
O sentimento mais difícil de ser verde escuro é esse que vem com a angustia da alegria. A tristeza da felicidade. Estou tão feliz que fico triste (da pra entender?).
Estou tão cheia que não consigo caber dentro do meu corpo e acabo vazando, pelos meus olhos.
Estou tão cheia de sentimentos diversos, que não consigo guardá-los mais só para mim. Espero que alguém roube um pouco, espero tirá-los um pouco daqui de dentro, aqui dentro onde tudo está tão arco-íris.
Sinto o sol queimando meus sonhos de cores alegres. O mar lavando buracos que já foram feitos, e que não fecham. A dor passa mas a ferida nunca fecha. Ela fica aberta e pode doer de vez em quando, mas o mar vem para me lembrar de que a maré vai, e volta. As coisas passam e as coisas vivem, morrem, sobrevivem, e que o mar tem força, e o mar é calmo, o mar é lindo, mas afoga.

Num momento de morte-vida eu disfarço e caminho. Violentamente aos maiores amores eu molho os dias. Um sentimento mudo, sem cor, de uma proporção que não consigo revelar. Sobre tudo chegou a hora de se libertar do gozo do choro, no choro. No outro lado da vida molhada de gozo Divino. De dentro pra fora e de fora pra dentro.
No momento, enquanto nada passa e tudo muda, enquanto não se para de aumentar a velocidade, eu só queria olhar pela janela, mas o cinza das nuvens faz tudo ficar sem visibilidade nenhuma. Então vou indo pelos caminhos, correndo cada vez mais, vendo uma metade escura, e outra clara demais, um branco que não consigo suportar. Um faz de conta de que tudo ficou azul da cor do gelo branco transparente. E eu fico laranja da cor do sol se pondo, e eu queimo.