Era uma bela tarde de um dia da semana qualquer, de um mês qualquer de 1998. Lembro-me com clareza da alegria que foi chegar aquele dia em casa depois de uma exaustiva manhã de aula (que saudade daquela exaustão!) e como era de praxe, joguei a mochila na cama, tirei o uniforme da escola, coloquei a boa velha roupa esfarrapada e mais que depressa me encaminhei para a rua para brincar com meus amigos. Contudo, excepcionalmente naquele dia eu olhei para uma escada recostada na casa, que sempre era deixada lá para eventuais observações na caixa d´água, esporádica solta de rojões e diários acertos na recepção da antena ( Mais pra direita, mais! mais! Aee!!). Naquele momento eu senti que seria um ótimo dia para mudar os planos, e fui quase que impulsionado a subir naquela escada e simplesmente me deitar naquela laje, não me deitar com um propósito, estava um dia agradável, com ventos suaves e bastantes nuvens cortando um céu azul como não mais me recordo de ter visto se repetir. Então, simplesmente quis admirar aquelas nuvens, passando em variadas formas, que me fizeram recordar de uma aula que tinha tido acho que na quinta série sobre nuvens, Sim! Uma classificação é dadas a elas, Nimbus, Nimbus Cúmulos, Stratus, Cirros e Mirros e suas variações. Fiquei me desafiando a identificar todas, e tentando calcular de cabeça a altura de cada tipo já que não me lembrava ao certo a altitude de cada uma delas. Quando me enchi disso, comecei a deixar o pensamento vagar, criar questões diversas, para respondê-las com aquilo que era no momento minha visão do mundo, e simplesmente divaguei sobre tudo que eu podia. Naquela tarde, várias coisas de escola fizeram sentido pra mim, me atentei ao vôo de uma libélula, como era precisa ao parar no ar, o sol, mesmo num dia fresco daquele quanto poder quanto calor ele gerava, fiquei brincando de tentar encara-lo quando ele estava entre as nuvens e hoje tenho que ser grato por não ter queimado minhas retinas com essa babaquice, mas no fim, vi o entardecer, o surgimento das primeiras estrelas, e fiquei curioso pra saber quais eram as constelações do hemisfério sul ( Cavaleiros do Zodíaco pesando muito!!) Até chegar um ponto em que o chamado da minha mãe me fez voltar, na verdade, eu já havia escutado algo antes mas não dei importância, até eu notar, ops! Eu subi era cerca de uma da tarde… e agora estou vendo estrelas!!! Melhor eu dar as caras… Um singelo “Estou aqui mãe!” foi respondido com um coro de vozes “ Olha ele ali!!!” A partir daí foi eu fazer a proeza de descer a escada apanhando do jeito que dava e ouvindo a bagunça que gerei, a polícia já tinha sido contactada porque uma vizinha maluca disse ter visto eu sendo levado por uma mulher até um carro. Sim apanhei demais em quanto minha mãe se recuperava do susto, mas este relato não é apenas pra você se degustar com meu infortúnio, mas para propor, pare um pouco durante seu dia. Medite sobre o mundo e as coisas que o rodeiam, gaste ( Se é que é pertinente chamar isto de um gasto de tempo) alguns minutos do seu dia ou horas se tiver para olhar para o céu e deixar que as coisas façam um pouco mais de sentido, elabore questões e teorias, erradas ou certas, são suas e otimizam o trabalho do seu sistema cognitivo, garanto para você que é muito bom para sua vida e paz de espírito. Aquela tarde ficou marcada na minha vida… tá legal ela também deixou marcas na minha bunda…

Ass_PDC