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[Mesmo que você não goste do Superman, leia até o final e se você não sair com uma visão um pouco diferente do personagem, pode me xingar nos comentários por te tirar esses minutos de vida rs].

Olá, sejam bem-vindos ao primeiro (de muitos, espero) PERFIL RENEGADO onde, a cada edição, vou trazer, especialmente para você, um perfil detalhado de algum ícone da cultura pop e darei a minha visão sobre o mesmo. Certo, eu posso explicar melhor do que isso. É o seguinte…

Se você é nerd como eu e não gosta de cultura de superfície, está sempre buscando saber um pouco mais sobre tudo, não é mesmo? Pois bem, a proposta aqui é trazer a minha análise e reflexão sobre alguns perfis, sejam pessoas famosas, personagens fictícios ou personalidades históricas. Seguindo esta linha, trago também o máximo de curiosidades e fatos interessantes sobre cada perfil escolhido, mas como a postagem não pode ficar xigaaaante (vai ficar :P) e meu conhecimento é limitado, conto com você para somar conhecimento deixando um belo comentário =). Pode ser headshot, caso eu erre algo, ou pode acrescentar alguma coisa que eu deixei escapar, a brincadeira é exatamente aprendermos juntos.

Então chega de enrolação e vamos nessa o/.

teste Bruno 3

Porque não começar com o Perfil de um dos Super-heróis que eu mais gosto?
Sim eu sou muito fã do Azulão, e odeio quando falam mal dele.
Ah ele é muito escoteiro.”
Acho sem graça, muito forçado.”
“― Tem poderes demais.”
Esses são só alguns dos argumentos que ouço quando se trata desse herói e a maioria das pessoas que dizem isso nunca sequer leram um quadrinho dele. Não, não estou julgando ninguém por tirar conclusões sem muita base, afinal eu faço muito isso (e quem não faz, que atire a primeira Kryptonita). Mas eu mesmo, em boa parte das vezes que fiz isso, quebrei a cara ao conhecer melhor sobre o assunto e perceber que tudo não passava de um preconceito idiota. E é isso que eu vou tentar quebrar hoje, o pré-conceito e as injustiças cometidas com esse herói que usa cueca por cima das calças… não pera!

Vamos aos fatos, o Super-homem foi inventado por Joe Shuster e Jerry Siegel, em 1938, na Lendária Action Comics 1, estreando, assim, o gênero Super-herói (eu disse SUPER!). E você sabe quem é o maior vilão desde então? Se você disse Lex Luthor, Brainiac, Apocalypse ou Darkseid você errou feio! Os vilões mais vis do Homem de Aço foram seus  cruéis roteiristas (temos raras exceções, mas chegaremos lá).

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Todos já estamos cansados de saber a origem do Super-Homem, não é?! Então vou pular essa parte e ir para o que interessa… O fator Poderes bizarros é uma das coisas que mais incomodou os fãs e não-fãs do herói. Ele já teve desde super saltos (que até faz sentido, visto que a gravidade do seu planeta natal era outra mas que ainda fica esquisito esteticamente) até super beijo e super ventriloquismo, bizarro não? Mas a grande maioria desses poderes não eram tão ruins assim na época em que apareceram (apesar de que super beijo é bizarro em qualquer época rs).Outra coisa que sempre causou discussão foram personagens desnecessários (para algumas pessoas), como Krypto, o super-cão, ou a prima de Kal a Kara. O potencial dos personagens raramente era aproveitado em uma história e, conforme outros personagens ganhavam atenção, a coisa só foi piorando…Obviamente, conforme o tempo e o leitor evoluem, certas coisas foram caindo em desuso.

Na década de 60, a DC fez cagada inventou o Multiverso, dando margem para que os personagens repaginados coexistissem com os clássicos, provavelmente com o fim de não desagradar o publico fiel ao mesmo tempo em que conquistava um novo publico, mas a coisa foi se complicando e deixando os leitores confusos, tanto que mais adiante, mais especificamente na década de oitenta a DC lança a primeira Máxi saga (ou Máxi série se preferir), Crise nas Infinitas Terras de George Peréz, que é um dos pontos de virada da era de bronze para a era de ferro dos quadrinhos. Com a intenção de destruir o Multiverso e torna-lo um só, mais coeso e acessível a todos, é uma série de enorme significância para o universo dos quadrinhos e impactou todos os personagens da editora DC pois após essa história grandes nomes da Industria foram chamados para repaginar os Heróis e contar suas histórias do zero, e “Now we are talking” Pois para nosso querido alienígena foi escolhido John Byrne, um grande roteirista/desenhista que chegou com os dois pés no peito, em Man of Steel de 1986, ele tirou inúmeros personagens e poderes da historia (o que desagradou vários fãs obviamente), recontando toda a origem do Super e dando fundamento cientifico para tudo, em suma, elevando o personagem para o próximo nível. (à de se acrescentar que a releitura do Batman pelo Frank Miller e da Mulher Maravilha por George Peréz são tão fenomenais quanto!).

Byrne permaneceu por algum tempo e foi responsável pelo primeiro homicídio cometido pelo Superman, sim numa história que se passa em Superman 22, ocorre uma situação complicada onde o Super se vê obrigado a matar os vilões Kryptonianos com Kryptonita verde, obviamente isso também  gerou muito #mimimi por parte dos fãs, o fato foi tão traumático que ele se exila por um tempo vivendo algumas aventuras no espaço.

Uma coisa que contribuiu e muito para a má fama desse personagem nas histórias da LJA (Liga da Justiça), era o destaque do personagem Batman, o alter ego do Wayne era tão popular que os roteiristas imbecilizavam o Superman, fazendo-o parecer um babaca, quando na verdade ele deveria ser o líder coeso e equilibrado que toda grande equipe precisa, fora que o QI do Clark é sobre-humano, pois Kryptonianos são muito mais avançados que a gente, mas não era isso que transparecia nas HQs.

BATXSPMAN

Uma outra peculiaridade dos anos Oitenta que se estende até os dias de hoje foi a popularização das Graphic Novels (obrigado Will Eisner), a novela gráfica nada mais é que histórias com arcos fechados, que podem ou não fazer parte da cronologia principal de determinado titulo, e é exatamente aqui que eu queria chegar!

As Graphic Novels ao lado das Sagas que são séries e mini-séries fechadas (a DC lançou a primeira mini-série em setenta e nove: World of Krypton) deram maior liberdade para que grandes roteiristas contassem histórias dos nossos personagens preferidos com mais autonomia, livre de amarras e limitações impostas pela cronologia do personagem, e graças a isso tivemos histórias mais adultas, umas mais violentas, outras mais politicas e de vez em quando por que não? as duas coisas. E como o papo aqui é sobre o Superman, vou citar aqui minhas recomendações de histórias que irão fazer você repensar seu gosto por esse personagem, fiz a lista numa ordem que contribua para que novos leitores se introduzam no universo do Kryptoniano, mas aconselho a começarem lendo as que o resumo mais agradar 😉 …

– O Homem de Aço: Depois de rasgar tanta seda para o artista inglês John Byrne, é claro que não poderia deixar de falar de Man of Steel, essa minissérie em seis partes é uma ótima porta de entrada para quem quer começar a ler histórias do Super, com uma narrativa fluida e história bem fundamentada ela reconta a historia de forma mais humana, desde a destruição de Krypton (faz isso de forma bem sucinta, em quatro páginas), até a busca de Clark pela sua real identidade, passando pelo primeiro encontro com o cavaleiro das trevas, sua relação com Lois e também com Luthor, tudo de uma maneira coerente e pé no chão, explora muito bem os valores e a ética desse herói, a melhor origem na minha opinião.

– Superman: As Quatro Estações: Eu sei que todos já estão cansados de historias de origem, porém quando um artista resolve contar uma história que todos conhecem, mas apresentada numa ótica singular e envolvente, faz com que essa obra figure entre todas as listas “você têm que ler”. Jeph Loeb foca a história no Homem e não no Super, enquanto Tim Sale inspirado em arte contemporânea americana compõem quadros incríveis. Uma história contada em quatro partes, cada uma com uma visão única do mesmo ser. É assim que conhecemos mais sobre Clark Kent ao olhos de Jonathan Kent; Lois Lane; Lex Luthor e Lana Lang. Com narrações em off enquanto toda a trama se desenrola, uma história mais profunda que mostra que Superman é a mascara que Clark usa e não o contrário. Uma obra única e cativante.

– Cavaleiro das Trevas em Metrópolis: O Homem-morcego está investigando um assassinato e acaba parando na cidade de Metrópolis, o Homem de aço nunca concordou com o modus operandi do Batman, mas esse acaba por revelar toda a sujeira escondida nas trevas da grande cidade, crimes que o Kryptoniano jamais imaginara. Com os olhos mais abertos e a ciência de que o mal se apresenta nas mais diversas formas, Kal entrega um anel de Kryptonita (antes pertencente a Lex Luthor) ao Bruce na esperança de que ele faça bom uso caso seja necessário, nasce ali um elo de confiança que vai perdurar por décadas.

– Lex Luthor o Homem de Aço: Brian Azzarello sabe como poucos se aprofundar nas motivações de personagens complexos, quer conhecer a força de um herói, veja a força de seu inimigo. Apoiado pela incrível arte de Lee Bermejo numa história curta ele consegue expor a alma de Lex com maestria, suas causas, seus anseios, nos presenteando com aquelas raras experiências de entender, ou até mesmo tomar partido de um “vilão”.

– Para o Homem que tem tudo: Essa perola do grande roteirista Allan Moore é talvez a melhor história já contada sobre o Superman, é aniversário de Clark, Batman, Mulher-Maravilha e Robin vão até a Fortaleza da Solidão para comemorar, para surpresa de todos encontram Superman catatônico,  com uma planta bizarra presa ao corpo, trata-se da Clemência Negra, trazida pelo alienígena Mongul, afim de deixar o Kryptoniano numa Utopia eterna, enquanto ele conquista a Terra entre outros mundos a sua escolha. Enquanto Clark sonha com a vida perfeita com sua família em Krypton, Mulher maravilha combate o inimigo e Batman e Robin tentam traze-lo de volta, o desfecho é tão emocionante que vou deixar você descobrir sozinho. Se preferir tem também uma versão animada na série LJA Sem Limites, que não tem o Robin mais é tão boa quanto!

– O que aconteceu ao homem do amanhã?: Moore mais uma vez. Contando as ultimas histórias de seus principais personagens antes da reformulação de Crise nas Infinitas Terras, a DC incumbiu esse gênio de contar o fim de seu maior personagem, e ele não decepcionou. Nessa história Lois Lane narra para um jornalista o que aconteceu dez anos atrás, quando a identidade do maior super-herói do mundo foi revelada e seus inimigos colocaram em risco a vida daqueles que ele amava, diante de difíceis decisões vale a pena conferir o que um dos maiores roteiristas pensou para o fim de uma Lenda, fã confesso do Homem de Aço Alan Moore não brinca em serviço.

– Superman Paz na Terra: O que aconteceria se Superman resolvesse que iria solucionar problemas digamos, mais humanos, como a fome no Mundo? Nessa narrativa em prosa entre quadros belíssimos do incrível Alex Ross vemos Kal-el enfrentando tensão politica, pressão militar e a ganância de homens no poder, ele acaba por perceber que a melhor forma de ajudar não é como super, mas sim como homem.

– Olho por olho?: Eleita a melhor história de 2001, e até hoje a que mais me cativa, Joe Kelly vai na contra-mão de toda aquela onda de anti-herói onde é necessário “sujar as mãos” para ser cool, e mostra numa única história o por que o Homem de Aço tem que ser como ele é, provando que o jeito “ultrapassado” é a forma certa de se fazer as coisas, pra variar essa história também ganhou um longa animado de excelente qualidade.

 – Identidade Secreta: Sabe o que a história Marvels e Identidade Secreta tem em comum além de terem sido escritas por Kurt Busiek? Ambas mostram o mundo dos Super aos olhos do Homem. Aqui somos apresentados a Clark Kent, um garoto do Kansas que tem o nome inspirado num ícone das HQs, mas o mundo dele vira de cabeça para baixo quando descobre ter de fato os poderes do personagem, sei que parece ser galhofa, mas vai por mim, apesar de esquisita retrata de forma peculiar a reação das pessoas em frente ao fantástico, e as consequências de algo nessa proporção no mundo real.

– Entre a Foice e o Martelo: Chegamos a mais aclamada história desse símbolo, a editora DC tem um selo chamado Elseworld onde publica suas histórias “o que aconteceria se?”, e a melhor coisa que já saiu de lá foi Entre a Foice e o Martelo. Mark Millar imagina um mundo onde o Superman caiu na Ucrânia, até então União Soviética. Aqui ele é comprometido com os ideais comunistas e trabalha para Stálin, quando esse morre adivinha quem assume o poder? Instaurando uma utopia ditatorial ele acaba por tornar o mundo praticamente inteiro comunista, menos os Estados Unidos, que mesmo destruído permanecem de pé com seu presidente Lex Luthor, vale a pena conferir o papel dos principais personagens nesse universo único.

– Grandes Astros Superman: Quando você ver o nome Grant Morrison na capa de uma HQ, não pense duas vezes, compre! Esse roteirista sabe contar histórias como ninguém, e em Grandes Astros ele entrega com certeza uma das melhores histórias já contadas sobre qualquer herói. Trazendo os conceitos “fantásticos” da era de Prata, ele escorre pelo que pode ser o fim do personagem, pois esse infectado por uma radiação solar (poder demais pode matar!), sabe que tem um ano de vida e muito trabalho a fazer, para partir sem deixar pendências ele testa os últimos limites de sua força, e realiza tudo que poderia, os desenhos de um dos meus artistas preferidos Frank Quitely também não deixam por menos pra tornar essa história de final ambíguo no minimo memorável.

– O Reino do Amanhã: Em 1996 o selo Elseworld nos proporciona mais uma nova experiência, Na mãos de Mark Waid e Alex Ross, vemos aqui um futuro distópico onde o mundo é tomado por super-seres, herdeiros dos que conhecemos, mas esses não lutam por ideais mas sim por diversão, sem se importarem em destruir tudo no caminho. Com a situação em estado critico alguns heróis voltam a tona, e dentre eles claro Superman para mostrar o verdadeiro conceito da palavra Justiça. Enfatizando o embate entre Mulher Maravilha e Batman, e também o Homem de Aço conta o Capitão Marvel controlado mentalmente por Lex Luthor.

Fora as aqui citadas existem inúmeras outras histórias magnificas desse personagem, desde os filmes do Christopher Reeve, até as animações incríveis do Bruce Timm (sério assista todas as séries e longas animadas da DC, são fantásticos!), vídeo-games entre muitas outras coisas pra quem é, ou virar um fã maluco como eu.

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Considerações finais: – O que eu sempre levo em consideração para medir a grandiosidade de uma obra, é a capacidade que ela tem de tocar cada individuo de forma única, em Kill Bill Vol 2, Bill discorre uma excelente reflexão sobre esse personagem, dando a entender que Superman é um herói por natureza, e que Clark Kent é seu disfarce, e se ele se disfarça como um humano fraco e inseguro é por que é assim que ele nos vê, eu discordo totalmente dessa linha de raciocínio, mas acho magnifico como uma obra pode despertar reflexões tão interessantes, e não só em pessoas diferentes mas também na mesma pessoa de acordo com sua visão de mundo, pois quando comecei a ler quadrinhos quando pequeno, via o Superman como algo acima de todos, um ideal que todos seguem mesmo sabendo que jamais irão alcançar, ele me ajudou a aprender muito sobre ética, deveres, o beneficio da dúvida entre outros conceitos básicos que no mundo de hoje se encontram cada vez menos, hoje eu enxergo algo a mais, eu vejo um personagem tão humano quanto qualquer um de nós, sempre em busca da sua real identidade, cheio de dúvidas e anseios, porém a esperança que ele jamais abandona é algo que me inspira de uma forma única.

Material de apoio:

Renegados Cast #46 O Homem de Aço

TcF Cast #50 Começando a ler Quadrinhos

– Mundo Estranho Apresenta – Grandes Sagas DC

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