The Newsroom é uma série apaixonante… Mas não para todos!

Fala galera renegada, tudo de boa?

O que falar de The Newsroom? É uma das minhas séries favoritas. Lembro que maratonei as duas primeiras temporadas de uma só vez, em três dias. Eu me apaixonei por aquela redação, pelos personagens e como Aaron Sorkin, genialmente, usou fatos do nosso cotidiano para engrandecer toda a trama. Esse cara é mestre!

A série conta, basicamente, os bastidores do programa News Night, exibido pela emissora fictícia all news à cabo ACN. Comandado por Will McAvoy (Jeff Daniels) e sua nova – nem tanto assim – produtora MacKenzie McHale (Emily Mortimer) eles lutam contra uma mídia cada vez mais polarizada e nada investigativa (o que historicamente sempre foi) que impera nos EUA e tentam colocar no ar um programa diário que aborde a notícia da forma mais direta e sem blá blá blá. Os fatos são o principal foco, não importa a quem atinjam.

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Will era o âncora de TV queridinho dos EUA. Sempre foi o tipo de jornalista que não opinava, não questionava e tampouco entrava em conflito. Não que ele não tivesse nada a dizer contra a política de seu país, mas para que lutar contra o primeiro lugar na audiência e contra o carinho dos fãs? Como lutar quando você é o principal exemplo do que os futuros jornalistas da América querem se tornar? Simples, é só responder a seguinte pergunta: POR QUE OS EUA SÃO O MELHOR PAÍS PARA SE VIVER?

Quando seus valores entram tão diretamente em conflito em uma pergunta como essa, não há como fingir que os EUA são perfeitos quando, claramente, não são.

Clique aqui e confira o BRILHANTE discurso de Will McAvoy a essa simples pergunta (infelizmente, não pude incorporar o vídeo por causa dos malditos direitos autorais, mas clica… Vale muito a pena!) e que deu o Emmy de Melhor Ator em Série Dramática para Jeff Daniels #HatersGonnaHate.

Como passar do jornalista mais querido e seguido da América para o traíra do american way of life? Veja bem, Will tem muito clara, e aberta, a sua preferência política: ele é um republicano clássico!

Só para localizar geral: o Partido Republicano dos EUA são a direita mais conservadora e tem entre seus representantes nomes como Rudolph Giuliani (ex-prefeito de Nova York), Sarah Palin (candidata a vice-presidente nas últimas eleições), toda a família Bush (eca!), Colin Powell (ex-secretáriode Estado, no governo Bush), Donald Rumsfeld, (ex-secretário de Defesa, no governo Bush), Arnold Schwarzenegger (ator e ex-governador da Califórnia), além de personalidades conhecidas como Clint Eastwood, Bruce Willis, Sylvester Stallone, Robert Downey Jr., Chuck Norris, entre outros. Muita gente tem o pensamento e o coração junto com essa forma de governo mais conservador… Até quem eu menos imaginava!

President Bush Holds News Conference
Só gente boa, né?!

Já o Partido Democrata – o mesmo do atual presidente Barack Obama – ainda sim é de direita (não rola muito esse lance de esquerda, pelo menos visível, nos EUA… Afinal eles caçaram os comunistas e socialistas ao redor do mundo, né?), mas uma direita mais liberal e progressista. Se liga na galera que se apega a essa ideologia: Al Gore (vice presidente dos EUA entre 1993 e 2001), Bill  Ritter (governador do Colorado desde 2006), Antonio Villaraigosa (prefeito de Los Angeles desde 2005); além de personalidades como Morgan Freeman, Michal J. Fox, Leonardo DiCaprio, Madonna, Samuel L. Jackson, Beyoncé, Katy Perry, Tom Hanks, Ben Affleck, Scarlett Johansson, entre outros. Também uma galera daora demais!

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Se o Batman é democrata, quem sou eu pra contestar, né?!

No entanto, quando Will responde essa pergunta, ele percebe que não concorda, EM NADA, com a política seguida pelos republicanos no país. Pela série, vemos que as atitudes de oposição ao governo Obama são risíveis e sem quaisquer motivos reais e consistentes. E Will, percebendo que isso vai contra tudo que ele acredita, contesta, juntamente com sua equipe, ferrenhamente esse modo retrógrado de pensar. Um dos focos da primeira temporada é o Tea Party, movimento republicano extremamente conservador, que preza a volta a todos os valores familiares e políticos. Já na segunda temporada a série aborda os conflitos na África, a Primavera Árabe e a total falta de transparência do Exército norte-americano. Nesta temporada mais recente, a espionagem internacional e os crimes cibernéticos estarão em pauta!

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A série é extremamente crítica quanto ao trabalho da internet investigativa. Ela questiona até que ponto o que se clama nas redes sociais é verdade. Nos últimos meses, tivemos aqui mesmo no Brasil, um movimento ideológico de Facebook e Twitter muito forte: de um lado os coxinhas e do outros os petralhas. Percebi que estamos nos encaminhando para um modelo muito parecido de polaridade no Brasil – ou você é comunista que come criancinhas no jantar ou você é um capitalista inescrupuloso que odeia nordestinos. Até que ponto isso é bom?

Aaron Sorkin é um mestre quando falamos de séries políticas. Para quem não sabe, ele é o criador de obras primas como The West Wing, Studio 60 on the Sunset Strip e Sports Night, além dos roteiros de A Rede Social, Questão de Honra e O Homem que Mudou o Jogo. Ele sabe abordar, na ficção, debates e pensamentos plausíveis que fazem parte do dia-a-dia real.

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Aaron Sorkin

The Newsroom atualmente está no início de sua terceira e última temporada, que contará somente com 6 episódios. É uma série, como eu disse no começo dessa SP, que não agrada a todos… Mas ainda assim deveria! O elenco é excelente. A química entre eles é algo que torna os diálogos extensos dinâmicos e que facilita muito o entendimento da trama. Se você curte esse tipo de temática e ainda não assistiu The Newsroom, corre! As duas primeiras temporadas somam, juntas, somente 19 episódios que podem passar voando apesar de sua quase uma hora de duração cada. Afinal, é padrão HBO de qualidade!

Aaron Sorkin conseguiu me cativar com roteiros inteligentes e fortes. Sem papas na língua. Essa é uma série que, nunca antes no Brasil, fez tanto sentido. Afinal, estamos vivendo em um momento de divisão ideológica que pode ser muito perigoso se não tratado com o devido respeito que a democracia merece. E ainda mais do que isso, The Newsroom mostra que os EUA não são o país tão perfeito que aparentam ser…